segunda-feira, 26 de julho de 2010


Vai diminuindo a cidade
Vai aumentando a simpatia
Quanto menor a casinha
Mais sincero o bom dia

Mais mole a cama em que durmo
Mais duro o chão que eu piso
Tem água limpa na pia
Tem dente a mais no sorriso

Busquei felicidade
Encontrei foi Maria
Ela, pinga e farinha
E eu sentindo alegria

Café tá quente no fogo
Barriga não tá vazia
Quanto mais simplicidade
Melhor o nascer do dia
(Simplicidade - Pato Fu)

segunda-feira, 12 de julho de 2010

30 anos sem Vinícus...




A morte
(Vinícius de Moraes)

A morte vem de longe
Do fundo dos céus
Vem para os meus olhos
Virá para os teus
Desce das estrelas
Das brancas estrelas
As loucas estrelas
Trânsfugas de Deus
Chega impressentida
Nunca inesperada
Ela que é na vida
A grande esperada!
A desesperada
Do amor fratricida
Dos homens, ai! dos homens
Que matam a morte
Por medo da vida.


"Vinicius de Moraes
Poeta e diplomata
O branco mais preto do Brasil
Na linha direta de Xangô, saravá!"


O Brasil perdeu Vinicius de Moraes em 9 de julho de 1980. Nascido em 1913, no Rio de Janeiro, Vinicius formou-se em direito, foi crítico, diplomata de carreira e poeta de alma, além de compositor. Há 30 anos o mundo perdia Vinícius de Moraes...

A sua benção poetinha!

terça-feira, 15 de junho de 2010

Sangue! Sangue!
Sangue!

Chatterton, suicidou
Kurt Cobain, suicidou
Vargas, suicidou
Nietzsche, enlouqueceu
E eu!
Não vou nada bem
Não vou nada bem...

Chatterton, suicidou
Cléopatra, suicidou
Isocrates, suicidou
Goya, enlouqueceu
E eu!
Não vou nada bem...

Chatterton, suicidou
Marc-Antoine, suicidou
Van Gogh, suicidou
Schumann, enlouqueceu
E eu!
Puta que pariu!
Não vou nada bem...

(Chatterton - Seu Jorge)



"Chatterton suicidou. Kurt Cobain suicidou. Vince Van Gogh suicidou. Nietzsche enloqueceu. E eu, puta que pariu, nao vou nada bem". Canta Seu Jorge com sua voz grave enquanto repete um quadrado no baixo.

Kurt Cobain, Van Gogh e Nietzsche são conhecidos, mas quem é Chatterton? Você sabe?

Thomas Chatterton é um dos cadáveres mais famosos da história, nasceu na classe equivocada em 1752 e nunca conseguiu sair dela, viveu somente dezessete anos e comeu merda desde o momento que chegou até o que abandonou este mundo. Sua mãe cuidava de uma igreja em Bristol, seu pai morreu antes que ele nascesse.

Thomas foi mandado à escola para pobres de Bristol, onde se formou com escasso futuro aos catorze anos e começou a trabalhar para um copista da cidade, que não lhe pagava nem uma tostão: só recebia alojamento, comida e roupa velha, como todos os outros criados.

Nessas ásperas condições, o jovem, criativo qu era, inventou um monge medieval chamado Thomas Rowley, a quem adjudicou uma série de poemas, redigidos por ele mesmo, em estilo e caligrafia impecavelmente góticos, sobre uns pergaminhos que seu avô tinha encontrado acidentalmente nos sótãos da igreja que cuidava.

Graças a eles, o impetuoso Chatterton pôde deixar Bristol e chegar a Londres disposto a conquistar a cidade com sua pluma. Seis meses depois sua caseira encontrou o rapaz morto no sótão que alugava. O morto ainda não havia esfriado quando começaram a tecer a lenda.

Enquanto a população masculina reunida na taberna atribuía o suicídio à evidente insanidade do morto (coisa que permitia explicar todas as excentricidades de Chatterton, desde suas ameaças de se tornar maometano até suas falsificações medievais, seu bizarro gosto para se vestir e inclusive sua condição de vegetariano), as garotas do bordel asseguravam que o rapaz tinha morrido de fome porque o padeiro não teria aceito vender lhe fiado.

A madame afirmou que tinha ouvido ele soluçar durante toda a noite, enquanto seus passos podiam ser ouvidos indo de um lado ao outro do quarto. Uma vizinha que conseguiu acompanhar a polícia que forçou a porta disse que o cadáver jazia caído próximo a cama, com expressão angelical e rodeado de papéis rasgados em confete. E o boticário confessou compungido que à tarde anterior tinha vendido um pouco de arsênico e láudano ao rapaz.

Chatterton foi o primeiro caso de um poeta no qual importam menos seus versos que sua vida, e sua morte. Chatterton era o padrão pelo jovens em toda Europa mediam seu desespero. Juventude, poesia e alienação tornaram-se sinônimos e e começou uma verdadeira epidemia de suicídios...


Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
Só ficou no muro
Tristeza e tinta fresca

quarta-feira, 26 de maio de 2010

"Falo a língua dos loucos, porque não conheço a mórbida coerência dos lúcidos." (Luíz Fernando Veríssimo)

sábado, 17 de abril de 2010


desenho: Rafael Sica - Ordinário : http://rafaelsica.zip.net/

...estamos nos tornando fantoches da burocracia!

terça-feira, 6 de abril de 2010


talvez se eu não tivesse feito nada certo
se eu não tivesse ido pra aula
e com o mau-hálito matinal
com os cabelos despenteados
sem aquelas antigas maneiras de ser educado
eu tivesse beijado de olhos abertos
talvez se eu fosse um daqueles hippies sujos
que vendem miçangas e sorriem melhor que nós
se eu tivesse fumado um baseado
e baseado em poesias
não tivesse feito nada certo
talvez se eu tivesse fugido com o circo
teria dado tudo certo...