terça-feira, 15 de junho de 2010

Sangue! Sangue!
Sangue!

Chatterton, suicidou
Kurt Cobain, suicidou
Vargas, suicidou
Nietzsche, enlouqueceu
E eu!
Não vou nada bem
Não vou nada bem...

Chatterton, suicidou
Cléopatra, suicidou
Isocrates, suicidou
Goya, enlouqueceu
E eu!
Não vou nada bem...

Chatterton, suicidou
Marc-Antoine, suicidou
Van Gogh, suicidou
Schumann, enlouqueceu
E eu!
Puta que pariu!
Não vou nada bem...

(Chatterton - Seu Jorge)



"Chatterton suicidou. Kurt Cobain suicidou. Vince Van Gogh suicidou. Nietzsche enloqueceu. E eu, puta que pariu, nao vou nada bem". Canta Seu Jorge com sua voz grave enquanto repete um quadrado no baixo.

Kurt Cobain, Van Gogh e Nietzsche são conhecidos, mas quem é Chatterton? Você sabe?

Thomas Chatterton é um dos cadáveres mais famosos da história, nasceu na classe equivocada em 1752 e nunca conseguiu sair dela, viveu somente dezessete anos e comeu merda desde o momento que chegou até o que abandonou este mundo. Sua mãe cuidava de uma igreja em Bristol, seu pai morreu antes que ele nascesse.

Thomas foi mandado à escola para pobres de Bristol, onde se formou com escasso futuro aos catorze anos e começou a trabalhar para um copista da cidade, que não lhe pagava nem uma tostão: só recebia alojamento, comida e roupa velha, como todos os outros criados.

Nessas ásperas condições, o jovem, criativo qu era, inventou um monge medieval chamado Thomas Rowley, a quem adjudicou uma série de poemas, redigidos por ele mesmo, em estilo e caligrafia impecavelmente góticos, sobre uns pergaminhos que seu avô tinha encontrado acidentalmente nos sótãos da igreja que cuidava.

Graças a eles, o impetuoso Chatterton pôde deixar Bristol e chegar a Londres disposto a conquistar a cidade com sua pluma. Seis meses depois sua caseira encontrou o rapaz morto no sótão que alugava. O morto ainda não havia esfriado quando começaram a tecer a lenda.

Enquanto a população masculina reunida na taberna atribuía o suicídio à evidente insanidade do morto (coisa que permitia explicar todas as excentricidades de Chatterton, desde suas ameaças de se tornar maometano até suas falsificações medievais, seu bizarro gosto para se vestir e inclusive sua condição de vegetariano), as garotas do bordel asseguravam que o rapaz tinha morrido de fome porque o padeiro não teria aceito vender lhe fiado.

A madame afirmou que tinha ouvido ele soluçar durante toda a noite, enquanto seus passos podiam ser ouvidos indo de um lado ao outro do quarto. Uma vizinha que conseguiu acompanhar a polícia que forçou a porta disse que o cadáver jazia caído próximo a cama, com expressão angelical e rodeado de papéis rasgados em confete. E o boticário confessou compungido que à tarde anterior tinha vendido um pouco de arsênico e láudano ao rapaz.

Chatterton foi o primeiro caso de um poeta no qual importam menos seus versos que sua vida, e sua morte. Chatterton era o padrão pelo jovens em toda Europa mediam seu desespero. Juventude, poesia e alienação tornaram-se sinônimos e e começou uma verdadeira epidemia de suicídios...


Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
Só ficou no muro
Tristeza e tinta fresca

quarta-feira, 26 de maio de 2010

"Falo a língua dos loucos, porque não conheço a mórbida coerência dos lúcidos." (Luíz Fernando Veríssimo)

sábado, 17 de abril de 2010


desenho: Rafael Sica - Ordinário : http://rafaelsica.zip.net/

...estamos nos tornando fantoches da burocracia!

terça-feira, 6 de abril de 2010


talvez se eu não tivesse feito nada certo
se eu não tivesse ido pra aula
e com o mau-hálito matinal
com os cabelos despenteados
sem aquelas antigas maneiras de ser educado
eu tivesse beijado de olhos abertos
talvez se eu fosse um daqueles hippies sujos
que vendem miçangas e sorriem melhor que nós
se eu tivesse fumado um baseado
e baseado em poesias
não tivesse feito nada certo
talvez se eu tivesse fugido com o circo
teria dado tudo certo...

terça-feira, 2 de março de 2010

entre as pernas da menina
a poesia silenciosa de seus lábios
e o som de desvairados gemidos
sinto dilacerar as vísceras
embaraço de corpos
a liberdade é confusão
das drogas que provei
e das bocas que beijei
nenhuma me viciou
vá até o amanhã
e veja como eu já vou estar
vejo sexo a três
quando chegará a minha vez?
a mente profana
a ferramenta do demônio
incômoda sensação de abandono
invento amores nos quais não creio...

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009


miseravelmente despido
dentre as espécies, o erro de Deus
com um cigarro pendurado entre os lábios
a testa quente, pedindo antibióticos e mais uma dose
a tuberculose deu fim aos jovens pulmões
queria esvaziar-me de pensamentos
pensar me faz sofrer e impede que eu me suicide

...de que vale a poesia se estão vivendo fora dela?